A formiga amedrontada foge de pé e de mão,
escapa de terramoto metida em colchão!
Mas uma viga pendurada do céu
tomba no seu leito em grande escarcéu.
Dona formiga mui rabiga fura medo e tecido
e debaixo da cama encontra bom abrigo.
Quando o pó pousar e desaparecer trovão
é que formiga rabiga fica convencida
que com terramoto todo o cuidado é pouco,
porque a primavera é tão doce de cheirar
e o verão… é mesmo louco!
Bernardete Costa
Menina azul
Onda e mar e alga
Céu de norte e sul
A desmaiar em nacarada flor
Seda e alvura
Levíssimo perfume na cor
Cereja da boca.
A açucena da pele
Ascendendo
Da ferrugem do sangue
A veia morena.
Menina azul
Onda mar e alga
A florescer sereia vestida
Princesa a resplender
Na luz da lua.
Beijo teu céu no sangue
que em mim se beija.
Bernardete Costa
Um patito perdido do sapal
confundiu o piar de sua mãe com gemido de gaivota.
Em suas presas se deixa abraçar, mas a ave
só pensa em lauto manjar.
Gaivota distraída como gaivão a planar
Esquece o patito que vindo do céu aterra em meu quintal
E logo vem à minha mão a procurar
a ternura morna de sua mãe.
Bernardete Costa
(Quadras baseadas no poema, “Sei que sou diferente”, do livro Cerejas aos Molhos, Bernardete Costa)
Cerejas aos molhos
Foi o livro que estivemos a ler
De todos os poemas que vimos
Um quisemos escolher.
Porque a diferença nos marca
Neste mundo de discriminação
É nosso dever mudar os pensamentos
E a todos dar a mão.
Vimos que somos muito diferentes
Como a ave branca e a andorinha e seu negrume
Mas o sorriso e a lágrima
É algo que nos une.
Respeitamos a diferença
Em todos os momentos
Porque todos somos iguais
Pessoas com sentimentos.
Turma 7º B, escola 1º ciclo, Grimancelos, Barcelos
e no papel
dá asas à imaginação:
pede colo a uma nuvem,
abre na lua uma janela,
beija uma estrela
...e com ela joga ao pião.
Mas na rua
semeia uma flor e
conta-lhe um segredo:
deseja um mundo melhor,
e o seu grande coração
faz dele um poeta
escrevendo a palavra certa:
AMOR
Bernardete Costa
A lua desejou ser leite chocolate
na noite do menino.
O menino gargalhou e com pena da lua
bebeu seu leite chocolate
na chávena tombado
depois de um arco-íris mirar a lua em riso
de chá sobre o telhado.
Agora o menino com artes feiticeiro
sempre que chove
faz a lua chorar seu leite chocolate
e arco-íris de chá
em chávena de aguaceiro.
Bernardete Costa
PATOS NO SAPAL
Os patos no sapal
Quá…quá…quá…
Comem migalhas de pão
Quá…quá…quá…
Mas a atrevida gaivota
Espreita a sua distracção
E de asas abertas
Rés ao chão
Furta-lhes a comida como o mais vulgar ladrão.
Os patos no sapal
Em fila vão serenos
E dando ao rabo
com olhos ternos
quá…quá..quá…
sabem que a indiferença é a melhor solução.
Professora, ouve-me...
Tenho tanto para te contar...
O meu irmão bateu-me... vi um pássaro a voar....
Atenção meus meninos, a aula vai começar!
Professora, diz-me tu
Para que me serve estudar
Se tenho na vontade
Correr, à bola jogar...
Fazer corridas...
E partidas...muitas partidas!
Silêncio, meninos, a aula vai começar!
Sete vezes nove....são...são....
Professora, professora...
Deu-me um pontapé, a Inês!
Sessenta e três!....sessenta e três!
E agora, escrever a lição!
Está bem professora..., mas dói-me a mão...
Professora...professora...
Posso ir beber água fria?
Não, não e não!
Todos calados! E com muita atenção!
Professora, professora...
e agora?...agora eu queria....
Hora do intervalo, professora!
De castigo!... ainda não chegou a hora!
Professora, professora...
Vem daí comigo...
Ah!...que dores de cabeça!...
É da vossa conversa!
Vem daí comigo, isso passa-te depressa,
Saltar à corda no recreio, fazer uma corrida....
Oh! não..., não tenhas receio...
Vem aprender a vida!...
Olha aquela folha pelo ar!...vê!
Como são verdinhas as ervas ali
E as borboletas a bailar....oh! esta flor aqui!...
Parece perdida...., é uma papoila...
Professora, professora...
Dá-me a tua mão, vamos fazer a corrente da amizade!
(Como estou cansada, já não tenho idade...)
Respondam: qual o maior rio português?
Toca a responder, já, de uma vez!
Estou encantado, professora...
Chegou a hora...
Vou-me embora!....
Bernardete Costa